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Image by Christian Wiediger

Alimentação e saúde ocular: o que a ciência sugere sobre o risco de glaucoma

  • Foto do escritor: mktclinicadoolho
    mktclinicadoolho
  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura

O controle da Pressão Intraocular (PIO) continua sendo o pilar central e o único alvo terapêutico com evidência nível 1 no manejo do glaucoma. No entanto, a prática clínica nos confronta frequentemente com a progressão da neuropatia óptica mesmo em pacientes com PIO dentro da meta. Este cenário nos obriga a revisitar mecanismos independentes, como estresse oxidativo, excitotoxicidade e comprometimento do fluxo sanguíneo ocular.

Uma recente scoping review publicada na Frontiers in Nutrition (2024) sistematizou duas décadas de evidências sobre a influência da dieta na incidência e progressão do glaucoma de ângulo aberto, trazendo insights que merecem nossa reflexão estratégica.

Destaques da análise clínica:

O estudo mapeou 19 pesquisas primárias (2003-2023), revelando que 80% delas encontraram associações significativas entre o consumo dietético e o glaucoma.

  • O efeito dos nitratos: o consumo de vegetais de folhas verdes (ricos em nitratos) apresentou uma redução de risco de até 48% para subtipos de glaucoma com perda de campo visual paracentral precoce. O mecanismo proposto envolve a otimização da via óxido nítrico e a melhora da perfusão do nervo óptico.

  • Neuroproteção e antioxidantes: frutas ricas em vitaminas A, C e carotenoides demonstraram efeito protetor consistente em populações específicas, sugerindo um papel vital contra o estresse oxidativo.

  • Fatores de risco dietéticos: em contrapartida, dietas com alta carga glicêmica (carboidratos refinados), excesso de sal, gorduras saturadas e uma proporção elevada de ômega 3:6 foram positivamente correlacionadas ao aumento do risco da doença.

  • A "lacuna" das vitaminas B: enquanto o folato (B9) e a tiamina (B1) surgem como protetores, o excesso de niacina (B3) apresentou uma associação intrigante com o aumento do risco em estudos transversais, demandando cautela na suplementação indiscriminada.

Apesar da consistência nas associações, 95% da base de evidências atual é observacional. A escassez de Ensaios Clínicos Randomizados (RCTs) é a principal barreira para a inclusão formal de diretrizes nutricionais no manejo clínico padrão. Além disso, a dependência de questionários subjetivos de frequência alimentar (FFQs) em detrimento de biomarcadores nutricionais ainda limita nossa compreensão sobre a causalidade real.

Considerando que a dieta é um fator de risco modificável e de baixo custo, devemos esperar por RCTs definitivos para começar a orientar nossos pacientes sobre hábitos nutricionais neuroprotetores, ou já temos evidência observacional robusta o suficiente para integrar a nutrição como terapia adjuvante no consultório?



A visão é o sentido mais importante do ser humano!  E cuidar da visão exige enxergar além dos olhos.

DOI: 10.3389/fnut.2024.1497366

Cremeb: 13.076

RQE: 4984




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